sexta-feira, 22 de novembro de 2013

EDUCAÇÃO SOFRE RETROCESSO HISTÓRICO COM REFORMA DE HADDAD

Por Dimitri Silveira

A Educação está vivenciando um tremendo retrocesso na cidade de São Paulo. Fernando Haddad (PT) está implantando o programa “Mais educação São Paulo” na rede municipal de ensino partindo de políticas educacionais arcaicas, que há muito já deviam ter sido abandonadas. Trata-se de uma reforma educacional de caráter eleitoreiro, amparada no senso comum e que oferece falsas soluções para os problemas da Educação. Não é a toa que a reforma petista tem recebido duras críticas de pesquisadores e cientistas da Educação. O retrocesso é tão significativo que o professor da faculdade de Educação da USP, Vitor Paro, disparou: “só falta instituir a palmatória”.

O carro-chefe da reforma de Haddad é a repetência dos alunos. Os estudantes poderão ser reprovados em cinco momentos diferentes de sua vida escolar, ao invés de dois, como ocorre atualmente. Essa foi a saída demagógica encontrada pelo prefeito petista para o problema da promoção automática. Ou seja, pretende-se combater um problema criando-se outro problema. Ocorre que as pesquisas em educação mostram que reprovar aluno não funciona. A reprovação estigmatiza o estudante, coloca-o numa condição de fracassado e o fracasso não estimula ninguém a aprender. É por este motivo que a evasão escolar aumenta quando aumenta a repetência, pois o aluno repetente prefere abandonar a escola a conviver constrangido no ambiente escolar, com a pecha de incompetente, fracassado. Repetir alunos é uma política tão nefasta que até mesmo Geraldo Alckmin (PSDB) decidiu copiar Haddad e anunciou que a rede estadual de educação paulista também aumentará, de dois para três, os momentos em que os alunos poderão ser reprovados.

Para acabar com a promoção automática é necessário garantir as plenas condições para a implementação da progressão continuada, uma forma moderna de enxergar a educação que parte do pressuposto de que todo mundo é capaz de aprender, mas de diferentes formas, em tempos distintos e em salas de aula não homogêneas. 

A reforma de Haddad prevê ainda a criação das salas mistas na educação infantil. Isso significa que crianças de diferentes idades (de zero a cinco anos) ficarão amontoadas em uma mesma sala de aula, o que seria o mesmo que colocar alunos da 5ª série numa sala de 8ª série. Haddad pretende, com as salas mistas, diminuir a fila de espera na educação infantil, que hoje conta com mais de 100 mil crianças a procura de uma vaga nos Centros de Educação Infantil da cidade de São Paulo. Por não garantir recursos, estrutura e autonomia das escolas, as salas mistas de Haddad são uma aberração pedagógica que reforça a concepção da escola como depósito de crianças e sem compromisso com o aprendizado. 

Os problemas do “Mais educação São Paulo” não param por aí. Privatização, convênios com organizações não governamentais e escolas de tempo integral sem estrutura para acomodar os alunos são algumas das medidas que já estão sendo aplicadas na rede municipal como parte da reforma do ensino. Essas são políticas requentadas da gestão Kassab que o PT está aprofundando.

Vale lembrar que alunos, pais e profissionais do ensino sequer foram chamados para contribuir com suas propostas, o que mostra o caráter antidemocrático desta reforma. A secretaria municipal de educação, num jogo de cena, ofereceu apenas 30 dias de consulta pública em uma página na internet para aqueles que quisessem fazer comentários sobre o conteúdo da reforma. Quando Paulo Freire foi secretário de educação em São Paulo na década de 90 e implementou mudanças na rede de ensino, o tempo destinado para debater as propostas foi de um ano!

É certo que esta reforma não trará nenhum avanço. As mudanças são para pior e não atacam o centro do problema. Se o objetivo fosse realmente melhorar a qualidade do ensino, como afirma o prefeito petista, a reforma deveria garantir melhores condições de trabalho aos profissionais da educação, expressiva redução do número de alunos por sala e remuneração decente capaz de libertar os professores do acúmulo de cargos.

Longe de melhorar a qualidade do ensino, Haddad busca dois objetivos com o “Mais educação São Paulo”. O primeiro é restaurar a imagem do petista, que ficou desgastada em função do aumento da tarifa de ônibus e a subsequente revolta que isso provocou. O segundo é se credenciar como o prefeito que mudou a história da educação municipal com vistas à disputa eleitoral de 2014. Haddad precisa “mostrar serviço”, sob risco de ser um ponto fraco do PT nas próximas eleições, pois foi ministro da Educação.

Desconsiderando os avanços científicos no campo da Educação baseados na pedagogia, psicologia, neurociência e demais áreas do conhecimento, Haddad prefere ressuscitar uma política educacional falida que já se mostrou um fiasco no passado e certamente fracassará no futuro.

Dimitri Silveira
Conselheiro do Sinpeem e membro dos Educadores Socialistas na Luta

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Praça sem – tempo

Por Poeta (Marilene Ferreira de Souza)
Um poema em homenagem a história da Praça Luiz Gonzaga


Perfil de Marilene no Facebook: https://www.facebook.com/marilenefkb?fref=ts



                  
O palco foi montado
agora é palanque
para  políticos que  enriquecem seus bolsos
com o trabalho
dos assalariados.


A sanfona chora,
a asa branca perdida,
reclama a falta de tempo,
não há  mais dança
dentro ou fora
das salas de reboco.


Praça que já foi pomar,
ameixas, amoras e goiabeiras
exalavam seus perfumes.
Garotada, hoje,  anciãos
corriam de pés descalços
pra comprar  cocada
e jogar bolinha de gude
naquele chão.




 Praça que foi entreposto
Takeutis   plantavam batatas
e ali vendiam com muito gosto.
tempo esquecido,
quando  chegaram
os  esgostos .


Nas chuvas,
era ali que a agua drenava
lavando  a Pirajuçara,
hoje,  avenida dos “Fernandos
que  armando:”
 isolam
o morro, o povo
e também a praça.


Esquecida na emancipação
da cidade, transformada em
quintal da escola,
não havia maldade
renasce outra geração
com a alegria das bikes.


Sobraram ainda algumas
arvores,  força e sombra
 para conversas de
 fim- de-tarde.

Rotarianos chegaram
aplacaram comércio
de ponta-a-ponta
mais uma farsa
para os desmandos
da cidade.

Pira na praça
Praça no Pira
Recebe homenagem
Do chão dos fortes,
ganhou  placas de cimento, luzes
E a frieza dos dias.


Gonzaga firma resistência,
mas a música
Foi extinta, para
justificar  a lavagem do
ouro feita na surdina.

Eventos, pão e circo...
não era a  bandeira da juventude;
somando  forças com a
nação hip-hop,
dreads, rastas, rappers
Grafites e samba
Denunciam a desigualdade.

Castigada mais uma vez
Extinto o Sr. Liceu
Os  olhos nunca foram nossos
 E  a arte...  só   de alguns
Lotada  em noites de lua,
a  história grita
pedindo  justiça.

A praça de Luis  
É vendida ao tempo-poupado,
espaço para mais cansaço
exploração e pouco ordenado,
sobraram máquinas,
polícia e Casas Bahia.



Poeta-MTST



segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Fundação Getúlio Vargas (FGV) troca provas e prejudica 69 professores de inglês na EE Nigro Gava.

Por Apeoesp Taboão da Serra


No dia 17 de novembro foi realizado o concurso para professor (a) da rede estadual de ensino de São Paulo.
Em Taboão da Serra, 69 professores (as) que prestaram a prova de inglês, na EE Nigro Gava, nas salas 15 e 16, foram prejudicados (as).
A prova  prevista para `as 14h,  começou `as 15h57min para esses professores (as). O motivo: a Fundação Getúlio Vargas (FGV), responsável pelo concurso, trocou as provas de inglês por educação física.
Em virtude deste erro, os responsáveis pelo concurso tiveram que recolher provas de inglês que sobraram das escolas vizinhas. Entretanto, a quantidade recolhida não foi suficiente e  32 provas tiveram que ser fotocopiadas.  
Houve dois tipos de provas de inglês – “verde” e “branca” -; e a FGV encaminhou a prova de cor “branca” para o e-mail de sua  representante, Illen Nara Rodrigues, que providenciou estas 32 cópias na própria escola. Com essas fotocópias e as duas horas de atraso, o sigilo da prova foi para o espaço.
Apesar das cópias feitas na escola serem da prova de cor “branca”, muitos professores (as) foram obrigados a anotar as suas respostas no gabarito da prova de cor “verde”.
A pergunta que fazemos para a FGV é a seguinte: estes professores (as) não serão prejudicados (as) no momento da correção? Os gabaritos das provas de cor “verde” e “branca” são os mesmos?
Ao saber deste ocorrido, o Coordenador da Subsede da Apeoesp de Taboão da Serra, Miguel Leme, junto com o advogado do sindicato, Dr Valdir, se dirigiram imediatamente para a EE Nigro Gava para cobrar explicações dos representantes da FGV sobre esse desrespeito e exigir que nenhum professor (a) seja prejudicado (a).
A justificativa dada pela FGV foi esfarrapada: disseram, simplesmente, que houve um problema de “logística”.
Diante de toda esta situação , a Subsede da Apeoesp de Taboão da Serra orientou, na porta da escola, todos os 69 professores (as) a fazerem Boletim de Ocorrência (BO) e protocolar requerimento na Diretoria Regional de Ensino de Taboão da Serra exigindo explicações da Secretaria Estadual de Educação sobre todos esses problemas descritos.
Estes procedimentos são importantes, pois caso seja necessário, ações judiciais serão ajuizadas para garantir os direitos destes professores (as) que foram prejudicados (as).
Além disso, é fundamental que todos os professores (as) que foram prejudicados (as) no concurso, por situações semelhantes `as vividas pelos 69 professores (as) que prestaram a prova de inglês na EE Nigro Gava, realizem os mesmos procedimentos orientados e informem a Subsede.
e-mail: subtaboao@terra.com.br
Telefone: 4701-5864

Executiva da Subsede da Apeoesp de Taboão da Serra


sábado, 9 de novembro de 2013

Professores (as) e alunos sofrem com reformas em Taboão da Serra

Por José Afonso da Silva

As escolas municipais de Taboão da Serra estão passando por reformas. Algumas como a Heitor Villa Lobos que estava com um dos prédios prestes a desabar e em outras reformas simples que vem sendo chamada por alguns de "padronização", pois segundo as “más línguas”, aquela verba da educação que não pode sobrar está sendo utilizada nas reformas das escolas e em obras.
Vale lembrar que o governo de Evilásio Farias teve suas contas rejeitadas pelo TCE por não usar todo o dinheiro destinado a educação, seja por incompetência ou mesmo por corrupção.
Pois bem! As escolas municipais estão sendo pintadas e reformadas, o que é bom, no entanto, o problema é que as aulas NÃO FORAM SUSPENSAS E AS CRIANÇAS ESTÃO TENDO AULA NAS ESCOLAS E ENFRENTANDO UM CHEIRO INSUPORTÁVEL DE TINTA TÓXICA E PERIGOSA para a sua saúde e integridade.
Desde a última semana, a EMI Pelezinho, por exemplo, está passando por essa reforma. Professores e alunos vivem em meio ao caos, pois além do cheiro de tinta insuportável, as crianças são deslocadas frequentemente de salas e ficam praticamente "amontoadas" em uma outra sala apertada e sem ventilação!
Falta de voz, alergia e fortes dores de cabeça: esses são alguns dos principais sintomas que as crianças e profissionais vem se queixando.
hoje foi a gota d´água, pois, segundo um pai da EMI Pelezinho que foi procurar a diretora para tratar do assunto, ficou sabendo que ela foi parar no Pronto Socorro! Somente na data de hoje, após esse incidente as crianças do período da tarde foram dispensadas!
Semana passada, um bilhete avisando os pais sobre o cheiro de tinta foi enviado, muitos questionaram o por que da pintura durante este período, já que estamos praticamente há um mês do término das aulas. Os país perguntam: “Será que essa reforma não poderia ser adiada para as férias de Janeiro? Os pais que não tem com quem deixar as crianças são obrigados a enviá-las para escola, arriscando assim a saúde de seus filhos!

Que as aulas dessa instituição e das que estejam tendo esse problema sejam suspensas, até que a saúde, tanto das crianças, quanto dos profissionais que ali trabalham, não seja comprometida ou suspendam a pintura e as reformas, pois da forma que esta sendo tocada a obra fica insustentável.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

A voz da rua é a voz da democracia


Por Stan Szermeta e José Afonso da Silva
(Editorial do Boletim do PSOL nov/2013) 

Este foi o recado que o movimento passe livre, os movimentos sociais organizados, as redes sociais e o povo indignado deram durante as grandes manifestações de junho, demonstrando o esgotamento do modelo de governo representativo que vivemos hoje.

A palavra de ordem era transparência e participação popular.

Infelizmente, os governos, sejam eles municipais, estaduais e federal, não entenderam as vozes das ruas. Aqui em Taboão não é diferente.

Basta observar a forma como foi organizada a eleição para o Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano, que foi realizada durante a semana, restringindo a participação dos munícipes que trabalham e com grande intervenção da prefeitura, obrigando funcionários públicos a votarem com transporte da prefeitura, com liberação e transporte para os funcionários e etc. Tudo para gerir sozinho os cerca de 3 milhões de reais dos recursos do fundo vindos do governo federal e de outorgas.

Fica evidente que não pretendem ouvir o povo!

Assim como ocorreu com a ciclovia, que foi BANIDA A FORÇA, sem nenhuma consulta aos usuários e a população, os mais de 700 mil reais para a sua construção foi por água abaixo, sem contar o péssimo exemplo que o prefeito Fernando Fernandes dá ao favorecer o uso do carro em detrimento do uso de bicicletas.

O mesmo ocorre com a Praça Luiz Gonzaga, que com a desculpa de trazer o Poupatempo para Taboão, será fechada pelo prefeito. Além de não consultar a população, os vassalos do prefeito fazem uma ampla campanha desqualificando os usuários da praça de bandidos, traficantes e drogados. O fechamento da Praça Luiz Gonzaga é um absurdo a considerar a carência de espaços de cultura e lazer na região do Pirajussara.

O Parque das Hortênsias é outro exemplo de abandono. Sua decadência é notória e os “esforços” do Prefeito são irrisórios para mantê-lo na linha do “quando pior melhor”.

Ao invés de revitalizar, reformar os espaços públicos da cidade, como o caso da Praça Luiz Gonzaga e o Parque das Hortênsias, Fernando Fernandes e os vereadores querem fechar tudo.

O Poupatempo é sempre útil, necessário e bem-vindo, mas o Sr. prefeito tem uma série de outros locais para implantá-lo, inclusive imóveis com débitos impagáveis de IPTU.

Na mira de Fernando Fernandes, também está o PS Akira Tada (Pronto Socorro da Toco), que pelos planos do prefeito deve ser fechado assim que  for inaugurada  a UPA. A voz do povo tem que ser ouvida, os espaços públicos são poucos e precisam ser mantidos.

O balcão de negócios que existia entre a câmara e a prefeitura permanece imperando e num simples olhar, podemos perceber que ao longo dos meses da nova gestão, a ausência de oposição consequente na câmara prevalece, tudo o que o executivo manda é aprovado em longas sessões que demonstram, tão somente, a falta de competência e a tentativa de enganar o povo.

A fiscalização das contas públicas se faz inexistente, pois ninguém comenta e se comenta é só para dizer que faltam recursos, mas também ninguém cobra os recursos dos desvios de dinheiro ocorridos no passado.

Agora, dinheiro para a contratação em massa de livre-nomeados, para construção do novo prédio da câmara, para a arena multiuso, para reforma de ginásios de esportes e grama sintética, não falta.

Dinheiro pra saúde, educação e reajuste para o funcionalismo nunca tem!

Aliás, o modo de governar do PSDB, que deixou o município a Deus dará por 8 longos anos é o mesmo, pois o foco principal não é o povo, mas sim a reeleição da deputada e esposa do prefeito, pois se assim não fosse, porque tanta publicidade?

A atual gestão mantém o mesmo grau de autoritarismo e falta de transparência do passado e vale lembrar que o governo está só no início!

Certo é que, com as manifestações, a capacidade crítica da população vem aumentando gradualmente a uma velocidade nunca antes vista. O povo não quer mais clãs familiares governando o município e muito menos interesses individuais, mas solução de problemas coletivos, como a saúde, educação, segurança, transporte, lazer, cultura...

Por esta razão, o PSOL é um partido necessário, que está na luta com a população e nos movimentos sociais, sempre levantando a bandeira da ética na política, dizendo não ao nepotismo, não às manobras eleitoreiras, não à enganação.


sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Fernando Fernandes, o PT e a Praça Luiz Gonzaga

Por José Afonso da Silva

As reclamações e atividades organizadas contra o fechamento da Praça Luiz Gonzaga vem ocorrendo desde fevereiro, mês em que foi anunciado a instalação do Poupatempo na Praça, Essa campanha tomou corpo após as manifestações de junho que foram muito fortes em Taboão. Foram feitos atos, shows e passeatas. Em nenhum momento Fernando Fernandes ousou falar que era uma campanha política da oposição, seus argumentos se resumiam a dizer que a praça era um cimentão, local de traficantes, drogados e de desocupados.
Nesse período, não se viu uma nota, um panfleto, uma manifestação do PT sobre o fechamento da Praça. No entanto, o PT, atordoado ainda pela derrota eleitoral de 2012 e procurando construir suas candidaturas pra o processo eleitoral de 2014, resolveu abraçar a causa da praça, pois percebeu que a insistência estava fazendo mudar a opinião dos moradores a respeito do assunto.
Essa guinada do PT deu o argumento que o prefeito Fernando Fernandes precisava. Já que desde quanto o PT entrou na campanha em "defesa" da praça, Fernando repete como um disco riscado, o velho e esfarrapado discurso de que o movimento é político e aponta os manifestantes como seus opositores derrotados nas eleições passadas (no caso aqui o PT).
O fato é que a entrada do PT nesta luta trouxe um enorme constrangimento para os que já estavam envolvidos nela.
E isso não ocorre por acaso. Vale lembrar que o PT foi governo junto com o PSB, do corrupto Dr. Evilásio Farias, por 8 anos. A vice prefeita, Prof. Márcia, foi secretária de cultura e teve uma gestão desastrosa cercada de denúncias.
Nesses oito anos de partilha de governo PSB/PT, (Evilásio/Márcia), provocaram o descalabro total na cidade e nas contas da prefeitura. Essa péssima administração RESSUSCITOU o combalido e moribundo PSDB de Taboão da Serra, que na figura de Fernando Fernandes, volta ao poder em Taboão com projeto claro de reeleger a dep. Analice Fernandes e ser uma vitrine para a reeleição de Alckmin.
Longe de mim dizer quem deve ou não ir aos atos, pois as manifestações são públicas e todos que concordem com ela devem ter o direito de participar (essa é uma conquista pela qual muito sangue foi derramado). No entanto, a forma ostensiva pela qual o PT foi para o ato, com todos os seus vereadores, o ex-prefeito de Embu e atualmente deputado estadual, Geraldo Cruz/PT, num momento onde há um conflito aberto entre os prefeitos de Embu das Artes e Taboão da Serra, apenas deu os argumentos que Fernando Fernandes precisava para confundir ainda mais a população e propagandear que somos contra o Poupatempo por motivos políticos eleitorais.
Um dos argumentos utilizados pelo PT para dizer que não se pode fechar a Praça, refere-se há um investimento de 500 mil reais vindo do ministério do turismo destinados a revitalização da praça. Como me disse uma jornalista recentemente, isso pode ser um tiro no pé, pois coo foi possível gastar 500 mil reais só para por concreto? Algo precisa ser explicado e elucidado.
De qualquer forma, é bom que fique claro qual são as opiniões do movimento:
1. Não somos contra a vinda do Poupatempo, Bom Prato e Detran. Apenas achamos que esses equipamentos podem ser instalados em outro local. Quem disser o contrário está sim querendo enganar a população
2. Defendemos a manutenção da Praça Luiz Gonzaga e que seja revitalizada para que se torne mais útil e acessível a todas as faixas etárias. Se durante os 8 anos de governos Fernando Fernandes e 8 anos de Evilásio/Márcia não foram capazes de fazer isso, poderiam pelo menos assumir que não priorizaram ou que foram incompetentes para tal.
3. A luta travada é pelo direito à cidade! E isso significa lutar por manter, revitalizar, reformar e ampliar os espaços públicos da cidade que são escassos. A Praça Luiz Gonzaga não pode se somar a ciclovia, o direito dos skatistas de usarem a Praça Nicola Vivelechio ou ao abandono do Parque das Hortênsias.

O que está em jogo é que as futuras gerações tenham o direito de usufruírem de espaços públicos. Por isso estamos lutando!

Fotos: www.taboaoemfoco.com.br

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Por que os Marxistas se Opõem ao Terrorismo Individual

Por Leon Trotsky

Nossos inimigos de classe têm o costume de queixar-se de nosso terrorismo. Eles gostariam de por o rótulo de terrorismo a todas as ações do proletariado dirigidas contra os interesses do inimigo de classe. Para eles, o método principal de terrorismo é a greve. A ameaça de uma greve, a organização de piquetes de greve, o boicote econômico a um patrão super explorador, o boicote moral a um traidor de nossas próprias filas: tudo isso e muito mais é qualificado de terrorismo. Se por terrorismo se entende qualquer coisa que atemorize o prejudique o inimigo, então a luta de classes não é outra coisa senão terrorismo. E o único que resta considerar é se os políticos burgueses têm o direito de proclamar sua indignação moral acerca do terrorismo proletário, quando todo seu aparato estatal, com suas leis, polícia e exército não é senão um instrumento do terror capitalista.
No entanto, devemos assinalar que quando nos jogam na cara o terrorismo, tratam, ainda que nem sempre de forma consciente, de dar-lhe a esta palavra uma sentido mais estrito, menos indireto. Por exemplo, a destruição das máquinas por parte dos trabalhadores é terrorismo neste sentido estrito do termo. A morte de um patrão, a ameaça de incendiar uma fábrica ou matar o seu dono, o atentado a mão armada contra um ministro: todos estes são atos terroristas no sentido estrito do termo. Não obstante, qualquer um que conheça a verdadeira natureza da social-democracia internacional deve saber que ela tem se colocado em oposição da maneira mais irreconciliável a esta classe de terrorismo.
Por que? O "terror" mediante a ameaça ou a ação grevista é patrimônio dos operários industriais ou agrícolas. O significado social de uma greve depende, em primeiro lugar, do tamanho da empresa ou ramo da indústria afetada; em segundo lugar, do grau de organização, disciplina e disposição para a ação dos operários que participam. Isto é certo tanto em uma greve econômica ou política. Segue sendo o método de luta que surge diretamente do lugar que na sociedade moderna ocupa o proletariado no processo de produção.
Para desenvolver-se, o sistema capitalista requer uma superestrutura parlamentar. Porém ao não poder confinar o proletariado em um gueto político, deve permitir cedo ou tarde, sua participação no parlamento. Nas eleições se expressa o caráter de massa do proletariado e seu nível de desenvolvimento político, qualidades determinadas por seu papel social, sobretudo por seu papel na produção.
Do mesmo modo que numa greve, nas eleições o método, objetivos e resultado da luta dependem do papel social e da força do proletariado como classe. Somente os operários podem fazer greve. Os artesãos arruinados pela fábrica, os camponeses cuja água envenena a fábrica, os lumpen-proletários em busca de um bom botim, podem destruir as máquinas, incendiar a fábrica ou assassinar o dono.
Somente a classe operária consciente e organizada pode enviar uma forte representação ao parlamento para cuidar dos interesses proletários. No entanto, para assassinar a um funcionário do governo não é necessário contar com as massas organizadas. A receita para fabricar explosivos é acessível a todo o mundo, e qualquer um pode conseguir uma pistola.
No primeiro caso, há uma luta social, cujos métodos e vias se desprendem da natureza da ordem social imperante; no segundo, uma reação puramente mecânica que é idêntica em todo o mundo, desde a China até a França: assassinatos, explosões, etc., porém totalmente inócua em relação ao sistema social.
Uma greve, inclusive uma modesta, tem conseqüências sociais: fortalecimento da auto-confiança dos operários, crescimento do sindicato, e, com não pouca freqüência, uma melhora na tecnologia produtiva. O assassinato do dono da fábrica provoca apenas efeitos policiais, ou uma troca de proprietário desprovida de toda significação social.
Para que um atentado terrorista, mesmo um que obtenha "êxito", crie confusão na classe dominante, depende da situação política concreta. Seja como for, a confusão terá vida curta; o estado capitalista não se baseia em ministros de estado e não é eliminado com o desaparecimento deles. As classes a que servem sempre encontrarão pessoas para substituí-los; o mecanismo permanece intacto e em funcionamento.
Todavia, a desordem que produz um atentado terrorista nas filas da classe operária é muito mais profunda. Se para alcançar os objetivos basta armar-se com uma pistola, para que serve esforçar-se na luta de classes? Se um pouco de pólvora e um pedaço de chumbo bastam para perfurar a cabeça de um inimigo, que necessidade há de organizar a classe? Se tem sentido aterrorizar os altos funcionários com o ruído das explosões, que necessidade há de um partido? Para que fazer passeatas, agitação de massas, eleições, se é tão fácil alvejar um ministro desde a galeria do parlamento?
Para nós o terror individual é inadmissível precisamente porque apequena o papel das massas em sua própria consciência, as faz aceitar sua impotência e volta seus olhos e esperanças para o grande vingador e libertador que algum dia virá cumprir sua missão.
Os profetas anarquistas da "propaganda pelos fatos" podem falar até pelos cotovelos sobre a influência estimulante que exercem os atos terroristas sobre as massas. As considerações teóricas e a experiência política demonstram o contrário. Quanto mais "efetivos" forem os atos terroristas, quanto maior for seu impacto, quanto mais se concentra a atenção das massas sobre eles, mais se reduz o interesse das massas por eles , mais se reduz o interesse das massas em organizar-se e educar-se.
Porém a fumaça da explosão se dissipa, o pânico desaparece, um sucessor ocupa o lugar do ministro assassinado, a vida volta à sua velha rotina, a roda da exploração capitalista gira como antes: só a repressão policial se torna mais selvagem e aberta. O resultado é que o lugar das esperanças renovadas e da excitação artificialmente provocada vem a ser ocupado pela desilusão e a apatia.
Os esforços da reação para por fim às greves e ao movimento operário de massas tem culminado, geralmente, sempre e em todas as partes, no fracasso. A sociedade capitalista necessita um proletariado ativo, móvel e inteligente; não pode, portanto, ter o proletariado com os pés e mão atados por muito tempo. Por outro lado, a "propaganda pelos fatos" dos anarquistas tem demonstrado cada vez mais que o estado é muito mais rico em meios de destruição física e repressão mecânica que todos os grupos terroristas juntos.
Se assim é, o que acontece com a revolução? Fica negada ou impossibilitada? De maneira nenhuma. A revolução não é uma simples soma de meios mecânicos. A revolução somente pode surgir da intensificação da luta de classes, sua vitória e garantida somente pela função social do proletariado. A greve política de massas, a insurreição armada, a conquista do poder estatal; tudo está determinado pelo grau de desenvolvimento da produção, a alienação das forças de classe, o peso social do proletariado e, por último, pela composição social do exército, posto que são as forças armadas o fator que decide o problema do poder no momento da revolução.
A social-democracia é bastante realista para não desconhecer a revolução que está surgindo das circunstâncias históricas atuais; pelo contrário, vai ao encontro da revolução com os olhos bem abertos. Porém, diferentemente dos anarquistas e em luta aberta com eles, a social-democracia rechaça todos os métodos e meios cujo objetivo seja forçar o desenvolvimento da sociedade artificialmente e substituir a insuficiente força revolucionária do proletariado com preparações químicas.
Antes de elevar-se à categoria de método para a luta política, o terrorismo faz sua aparição sob a forma de ato individual de vingança. Assim foi na Rússia, pátria do terrorismo. O açoitamento dos presos políticos levaram Vera Zasulich a expressar o sentimento de indignação geral com um atentado contra o general Trepov. Seu exemplo repercutiu entre a intelectualidade revolucionária, desprovidas do apoio das massas. O que começou como um ato de vingança perpetrado em forma inconsciente foi elevado a todo um sistema em 1879-1881. As ondas de atentados anarquistas na Europa Ocidental e América do Norte sempre se produzem depois de alguma atrocidade cometida pelo governo: fuzilamentos de grevistas ou execuções de opositores políticos. A fonte psicológica mais importante do terrorismo é sempre o sentimento de vingança que busca uma válvula de escape.
Não há necessidade de insistir que a social-democracia nada tem a ver com esses moralistas a soldo, que, em resposta a qualquer ato terrorista, falam somente do "valor absoluto" da vida humana. São os mesmos que em outras ocasiões, em nome de outros valores absolutos, por exemplo, a honra nacional ou o prestígio do monarca estão dispostos a levar milhões de pessoas ao inferno da guerra. Hoje, seu herói nacional é o ministro que dá a ordem de abrir fogo contra os operários desarmados, em nome do sagrado direito à propriedade privada; amanhã, quando a mão desesperada do operário desempregado cerre o punho ou se apodere de uma arma, falarão sandices sobre o inadmissível que é a violência em qualquer de suas formas.
Digam o que digam os eunucos e fariseus morais, o sentimento de vingança tem seus direitos. Fala muito bem a favor da moral da classe operária a não contemplação indiferente do que ocorre neste, o melhor dos mundos possíveis. Não extinguir o insatisfeito desejo proletário de vingança, mas, pelo contrário, avivá-lo uma e outra vez, aprofundá-lo, dirigi-lo contra a verdadeira causa da injustiça e a baixeza humanas: essa é a tarefa da social-democracia.

Nos opomos aos atentados terroristas porque a vingança individual não nos satisfaz. A conta que nos deve pagar o sistema capitalista é demasiado elevada para ser apresentada a um funcionário chamado ministro. Aprender a considerar os crimes contra a humanidade, todas as humilhações a que se vêem submetidos o corpo e o espírito humanos como excrescências e expressões do sistema social imperante, para empenhar todas nossas energias em uma luta coletiva contra este sistema: essa é a causa na qual o ardente desejo de vingança pode encontrar sua maior satisfação moral