segunda-feira, 18 de junho de 2012

CARTA COMPROMISSO DOS CANDIDATOS (AS) DA FRENTE DE LUTA SOCIALISTA DE TABOÃO DA SERRA


Companheiros e companheiras de Luta!

No dia de hoje foi realizada a Convenção do Partido Socialismo e Liberdade de Taboão da Serra. Esta Convenção aprovou a chapa de vereadores do Partido e o nome do Companheiro Stan Szermeta, candidato a prefeito no município. Stan encabeça a Frente de Luta Socialista de Taboão, formada pelo PSOL e pelo PSTU, que indica o companheiro William Felippe, como vice na chapa.
Meu nome foi referendado nesta convenção como candidato a vereador pelo PSOL e espero continuar contribuindo no processo de luta do funcionalismo, dos Sem-Teto, das ADIs, da juventude, dos professores da Apeoesp, assim como na luta contra a corrupção que assola o município.
Minha candidatura será uma oportunidade rara para colocar a defesa dos trabalhadores e levantar a bandeira de uma alternativa socialista, como única forma de se resolver de fato os problemas causados pelo sistema capitalista.
Abaixo a Carta Compromisso dos candidatos da Frente de Luta Socialista de Taboão da Serra, que eu assinei durante a convenção.



CARTA COMPROMISSO DOS CANDIDATOS (AS) DA FRENTE DE LUTA SOCIALISTA DE TABOÃO DA SERRA


Eu, José Afonso da Silva, candidato pela FRENTE DE LUTA SOCIALISTA DE TABOÃO DA SERRA, composta pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL - na qual sou filiado), e pelo Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), assumo o compromisso de, na campanha e no mandato:

1 – Agir coletivamente, a partir de idéias e causas emancipatórias, sempre de acordo com o programa partidário, em intransigente defesa do interesse público e da elevação da consciência política popular, sobretudo das maiorias espoliadas e empobrecidas;

2 – Estimular permanentemente a organização autônoma dos trabalhadores e do povo, no seu local de moradia, trabalho e estudo, de modo a que, como sujeitos coletivos, tornem-se os principais protagonistas da conquista e manutenção de seus direitos, ameaçados pela hegemonia neoliberal e pelo absolutismo de mercado;

3 – Não reprimir, no exercício de mandato legislativo, os movimentos sociais, sem requerer reintegração de posse de terrenos ocupados por trabalhadores sem-teto e sem-terra, principalmente em áreas privadas ociosas que apenas sirvam para a especulação imobiliária, não acionando dispositivos policiais contra greves e não cortando o ponto de servidores públicos em paralisação por suas justas reinvidicações, sempre que estas ações sejam expressões legítimas da classe trabalhadora, sem manipulações de patrões, governos adversários ou setores do latifúndio e da especulação imobiliária;

4 – Combater o individualismo, o personalismo, o carreirismo e o coronelismo que prosperam na política institucional brasileira, assim como em Taboão da Serra, valorizando a atuação de grupos e classes sociais oprimidos e buscando ser sua representação legítima, sem substituí-los;

5 – Promover total transparência da minha situação patrimonial e dos recursos arrecadados e gastos na campanha, com prestação de contas periódicas, bem como das receitas e despesas do dinheiro público no exercício do mandato;

6 – Como medida para combater a corrupção e adotar é adotar como princípio não aceitar nenhum centavo de financiamento por parte de grandes empresários e capitalistas. Minha campanha será modesta em recursos, mas será financiada apenas por aqueles com os quais temos o compromisso de governar: o povo pobre e trabalhador. Não aceitando eventuais contribuições de pessoas jurídicas, bancos e multinacionais – e as de empresas com contenciosos trabalhistas e ambientais;

7 – Cumprir as obrigações partidárias, militando em núcleos e outras instâncias, a quem o mandato deve servir, e prestando contas dele em reuniões, plenárias, com constante interlocução com a população, e contribuindo regularmente com o partido, de acordo com o disposto pelo estatuto e normas complementares;

8 – Combater a ascendente demagogia eleitoral, denunciando os crimes de compra de votos, promessas de ganhos e benefícios individuais para os eleitores, os abusos do poder econômico e a utilização de cabos eleitorais pagos;

9 – Articular, na campanha, uma proposta política que não dissocie o município das questões nacionais e mundiais, contribuindo pedagogicamente para uma visão sistêmica, sem desprezar o imediato e a importância de conquistas concretas para os trabalhadores, com melhorias reais em suas condições de vida.

Taboão da Serra, 17 de junho de 2012

José Afonso da Silva
(Candidato a vereador –PSOL- pela Frente de Luta Socialista de Taboão da Serra)

terça-feira, 12 de junho de 2012

CRECHES: UM DESAFIO PARA AS MULHERES


Por Patrícia Bravo
Os dados comprovam aquilo que sentimos na pele, que é a demanda por 3 mil vagas em creches para as crianças de 6 meses a 3 anos na cidade de Taboão da Serra. Mesmo com a mudança de governantes o problema continua se arrastando. O atual Prefeito, por exemplo, em 7 anos e meio não construiu nenhuma creche.
O que surpreende a população é que agora, na véspera das eleições, foi anunciada a construção de 4 creches, mas não se sabe ainda onde e quando serão construídas.
Para além da ampliação é essencial a qualidade, ou seja, número reduzido de crianças por sala, com ambientes lúdicos (parquinho, brinquedoteca, sala de leitura, sala de audiovisual, dentre outros) e não salas abarrotadas e sem estrutura para atender nossas crianças.
Outro fator importante é a necessidade de investir e valorizar as profissionais que atuam na educação infantil. É inadmissível o processo de precarização dessas trabalhadoras promovida pelo Governo Evilásio, que contratou as chamadas Paps, que integram o programa de apoio profissional, por salário de irrisórios R$ 360,00 para uma jornada de trabalho de 5 (cinco) horas, de segunda a sexta-feira.
Essas lutadoras são verdadeiramente heroínas, pois lutam em benefício das crianças de trabalhadoras, em trabalho que se pode dizer chega à beira da escravidão.
 Outro exemplo marcante, são as Professoras ADIs (assistentes de desenvolvimento infantil). Responsáveis pelas classes de educação infantil de 0 a 3 anos (maternal e mini maternal) desde 1999 até julho de 2011, quando no “rolo” de escândalos de corrupção e denúncias o Prefeito promoveu alterações no estatuto do magistério e as substituiu em sala de aula, e são obrigadas a dividir o trabalho com as professoras do Jardim I.  Substituem as professoras de educação infantil, as de ensino fundamental e realizam atividades pedagógicas na educação especial, completando jornada maior, por um salário que corresponde a 1/3 do salário de uma professora – mesmo trabalho, salários diferentes!!!
O PSOL acredita que a educação é a base para qualquer mudança mais profunda da sociedade, por isso é fundamental um amplo investimento nessa área, que passa pela ampliação de vagas, na educação infantil em tempo integral, garantia de uma boa infraestrutura e principalmente pela valorização das profissionais que garantem na ponta a qualidade do serviço.

Sobre a greve das Adis
Após anos a fio, se dedicando incansavelmente a educação infantil, tendo responsabilidades pedagógicas e sociais com as crianças de 0 a 6 anos, além de crianças e adolescentes com necessidades especiais deste município,  as Assistentes de Desenvolvimento Infantil (ADIs) decidiram no último dia 16/05 por unanimidade votada em assembleia na sede da Apeoesp Taboão da Serra, entrar em greve no dia 28/05 por tempo indeterminado. Entre as reinvindicações, as principais são: aumento salarial, reenquadramento no estatuto do magistério, vale transporte. As Professoras Adis tem as mesmas funções em sala de aula que um professor, com uma carga horaria maior e 1/3 do salário (Professor=R$2300,00, Adi=R$835,00).
Começou então uma luta árdua, cansativa e sem respostas do Governo Evilásio Farias. Foram feitas panfletagens de explicativos a população sobre a greve, colheita de assinaturas de apoio ao movimento, e no dia 01/06 um movimento em frente a prefeitura com pais e mães de alunos, e também com o apoio do MTST, a espera que o atual prefeito se manifestasse em atender a comissão de negociação das Adis, mas de nada adiantou. A greve se estendeu até o dia 04/06, onde por unanimidade em assembleia, foi votada o seu encerramento. Foi decidido que se voltaria ao trabalho em “estado de greve”, pois conforme o Vereador Aprígio, (candidato do prefeito ao próximo governo), garantiu que o prefeito Evilásio atenderia a categoria no próximo dia 13/06 para as negociações, porém se o mesmo não ocorrer, a greve continua.
O PSOL apoia o movimento e a luta das trabalhadoras da categoria, e os demais trabalhadores que lutam por uma vida mais digna, com trabalho qualificado, valorizado, por uma saúde e educação de qualidade, para que possam viver com mais qualidade de vida com suas famílias.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Três meses de luta e resistência em defesa do direito à moradia



Por José Afonso da Silva
Com muita festa, doces, salgados, poesia, música, palavras de ordem, e claro, muita animação, as 2800 famílias do Acampamento Novo Pinheirinho de Embu das Artes comemoraram três meses desde que entraram no terreno conhecido como Roque Valente para fazer valer o direito à moradia.
Durantes estes três meses, os acampados marcharam por várias vezes para a Câmara Municipal, Fórum do município, para a sede do CDHU, para o Palácio dos Bandeirantes e travamento da BR 116
A recente exibição do programa A Liga, da TV Bandeirantes sobre “Moradias Precárias” é um brinde aos acampados e uma prova de que é necessário lutar.

Por que Novo Pinheirinho?
O acampamento foi batizado de Novo Pinheirinho em homenagem as famílias da Comunidade do Pinheirinho de São José dos Campos, que moravam ali a mais de 8 anos e foram brutalmente despejadas pela polícia militar e pela guarda municipal a mando do Tribunal de Justiça de São Paulo, do governador Geraldo Alckmin/PSDB e pelo mega especulador Naji Nahas.
Foram mais de 2 mil policiais que se utilizaram do máximo de seu aparato repressivo: cassetetes, cães, cavalaria, bombas de efeito moral, balas de borracha, espancamentos e repressão psicológica. O objetivo era um só: dar um exemplo aos outros movimentos populares que lutam pela moradia de como a polícia, governo e justiça trataria as novas ocupações dali em diante.
O saldo do massacre, 5 mil pessoas jogadas nas ruas ou em alojamentos insalubres, cerca de 6 desaparecidos, vários feridos, mulheres estupradas e um trauma psicológico que ficará pra sempre na memória de quem viveu aquela experiência.
Para que ninguém se esquecesse da brutalidade do PSDB em São José dos Campos e demonstrar que o movimento popular não deveria se amedrontar e nem recuar na sua luta, o MTST organizou na madrugada de 02 de março duas ocupações, uma em Santo André, região do grande ABC, e outra em Embu das Artes, região sul da Grande São Paulo. Semanas depois, os companheiros do MTST organizaram uma ocupação na Ceilândia, Distrito Federal.
Essas ocupações foram batizadas de Novo Pinheirinho como resposta do povo pobre e necessitado à violência e ao descaso dos governos.

Judiciário de Embu das Artes cumpriu seu papel

Ainda no segundo dia de ocupação, o judiciário de Embu das Artes aceitou pedido de reintegração de posse, movido por setores travestidos de “ambientalistas” da cidade.
Tendo como mote a transformação do terreno em parque, esses “ambientalistas”, ao invés de fazer um debate aberto, coletivo e democrático com a população, levantando a questão de como garantir preservação ambiental e resolver o déficit de moradias no município, ao contrário disso, apelaram para a solução da violência contra os pobres.
O judiciário de Embu das Artes, com a decisão da juíza Bárbara Carola Cardoso de Almeida, foi mais longe, além de expedir a reintegração de posse, determinou multa de 50 mil reais por dia em que as famílias permanecerem no terreno. Num lampejo de generosidade, a mesma estabelece um limite máximo para a multa em “meio bilhão” de reais.
Não satisfeita, a juíza tenta criminalizar os membros da coordenação do Acampamento, alegando supostas ameaças de morte feita por um anônimo.
A mesma postura desses setores ambientalistas e da juíza não foi vista em momentos onde empreiteiras devastaram áreas inteiras do município, onde mesmo com os alertas dos moradores, nada se fez.
Também não vê  da parte destes a mesma preocupação quando se trata da construção de condomínios de luxo.
A resposta do movimento popular foi dada a altura, seja pela quantidade apoio da população, seja pelas declarações de sindicatos, autoridades e personalidades que se colocaram em defesa do MTST.

Direito à moradia

A moradia é um direito constitucional garantido no artigo 6° Constituição Federal de 1988. No entanto, os governos federal, estaduais e municipais não cumprem com a constituição, uma vez que são pautados pelo lobby das grandes empreiteiras e do mercado imobiliário.
Esse setor financia candidatos a presidente, governadores, prefeitos, senadores, deputados e vereadores, depois cobra a fatura com superfaturamento de obras e concessões governamentais.
Esse setor age por fora da lei corrompendo os políticos, alterando os Planos Diretores a seu bel prazer e estabelecendo prioridades distantes dos interesses da maioria da população.
Os planos governamentais para construção de moradia popular, a exemplo do Minha Casa Minha Vida, esbarram na especulação imobiliária e na subserviência dos prefeitos e vereadores.
Só resta aos movimentos populares ocupar os terrenos reservados à especulação imobiliária como forma de pautar o problema do déficit habitacional e fazer andar os projetos de moradia.
Como muito bem disse a professora Ermínia Maricato em entrevista à revista Fórum: “...se os movimentos não ocupam, essa questão não tem visibilidade...”
Um bom exemplo disso foi a conquista de 896 apartamentos pelo MTST através do Minha Casa, Minha Vida em Taboão da Serra.
Foram cinco anos de luta  e resistência até a conquista do empreendimento pelas famílias da Ocupação Chico Mendes (Taboão da Serra) e da Ocupação João Cândido (Itapecerica da Serra).

Só o Judiciário é contra a construção de moradia

Embu das Artes, de com acordo com dados do IBGE, tem um déficit de 9 mil moradias. Assim acontece em outros municípios da Grande São Paulo, não políticas claras para resolver este problema.
No entanto, a situação do terreno onde as 2800 famílias do Novo Pinheirinho estão acampadas está bem mais tranqüila do que em outros municípios.
A CDHU é a proprietária do terreno e tem projeto para a construção de 1200 moradias no local. Esse projeto prevê a construção de moradia, preservação da mata e construção de um parque para uso da população.
Para a construção das moradias, há apoio do Ministério das Cidades e disposição da Caixa Econômica Federal em financiar o empreendimento.
No município, há apoio do prefeito e há decisão unânime da Câmara Municipal também favorável.
A única pedra no caminho é o posicionamento retrógado do judiciário e o cinismo de pessoas que se dizem “ambientalistas”, mas apenas quando se trata de atender as reivindicações dos mais pobres.


O aniversário de três meses de luta e resistência da Ocupação Novo Pinheirinho de Embu das Artes é um exemplo de que luta é pra valer!

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Lugar de mulher é na política!


Por uma maior participação política das mulheres trabalhadoras


Por Kátia Sales

Neste ano de 2012, fazem 80 anos que as mulheres conquistaram o direito ao voto, porém, só fomos exercê-lo de fato, após a abertura democrática na década de 80. No entanto, esta conquista formal não se traduz em realidade no dia a dia de milhares de mulheres. Hoje as mulheres são mais de 50% do eleitorado brasileiro, mas nas câmaras municipais de todo o país, temos apenas 12,5% de vereadoras.
Apesar do aparente avanço e discurso de que já obtivemos a igualdade tão almejada, visto que temos uma mulher como presidente, estamos nos piores postos de trabalho, mais precários, mais insalubres, mal pagos, pelo simples fato de sermos mulheres.
As mulheres, além de trabalharem fora, continuam responsáveis pelas tarefas domésticas. Essa dupla jornada de trabalho consiste em tarefas pesadas, penosas, cotidianas e repetitivas que esgotam física e psicologicamente as mulheres. Muitas vezes não temos com quem contar e faltam creches, escolas, atendimento de saúde, e  nos vemos sozinhas nessa luta do cotidiano.
 A diferença de 5 anos para fins de aposentadoria entre homens e mulheres está longe de compensar anos de trabalho não remunerado que são os serviços domésticos, e mesmo assim, a reforma da previdência do governo Dilma tenta acabar com esta diferenciação e ampliar o tempo para fins de aposentadoria. A mesma Dilma que em seu primeiro ano de mandato não construiu uma única creche se quer para os filhos da classe trabalhadora.
Além dos elementos colocados acima, há de se considerar o silêncio histórico imposto às mulheres nos processos de mudança da sociedade. A nós sempre nos foi negado indiretamente à participação na vida pública, pois são enormes as dificuldades para uma trabalhadora se postular como dirigente sindical, partidária e da sociedade civil organizada. Apesar de estarmos denunciando há anos a sub-representação das mulheres na política, continua sendo um desafio para os partidos estimular uma maior participação e filiação das mulheres, até porque, a maioria dos partidos não querem perder os seus privilégios, portanto, não têm interesse na igualdade real.
Para o PSOL, ações afirmativas como cota racial e cota para mulheres, são mecanismos necessários enquanto não alcançarmos a democracia que queremos. A lei eleitoral Lei 12034/09, sobre a reserva de gênero ou cota para as mulheres, tem por objetivo aumentar a participação política das mulheres nas eleições como candidatas.
No entanto, esta medida legal não acabará com as discrepâncias entre as campanhas, uma das origens dos grandes escândalos de corrupção em nosso país. O financiamento público de campanha, por exemplo, acabaria com a desigualdade entre candidato (a) A, B ou C, garantindo uma real participação das mulheres neste processo e de todos os candidatos da classe trabalhadora. Hoje os candidatos não comprometidos com os trabalhadores (as) se “vendem” em troca de apoio financeiro e quando ganham as eleições ficam “amarrados”, devendo favores aos seus doadores, gerando roubalheira e sacanagem com o dinheiro do contribuinte.
Mas não queremos qualquer mulher, devemos votar naquelas que representam os interesses da classe trabalhadora, que lutam por melhores condições de vida para todos e para todas, que não faça lobby ou demagogia pelo fato de ser mulher. O equilíbrio do debate é entender que ser candidata é uma necessidade que mulheres trabalhadoras tenham como porta-vozes no parlamento outras mulheres trabalhadoras. Por isto afirmamos, nestas eleições, que se lugar de mulher é na política, então lugar de mulher é no PSOL.
Ficha técnica: 
Kátia Cristina da Silva Sales é estudante de direito da Faculdade Anhanguera de Taboão da Serra, militante do PSOL e do Movimento Mulher em Luta.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Professoras ADIs suspendem a greve, mas continuam lutando!


Por José Afonso da Silva

 Em assembleia na tarde de ontem, 04/06, na Apeoesp, as professoras ADIs decidiram por unanimidade suspender a greve iniciada na semana passada.
Foram seis dias de intensa mobilização por parte das professoras ADIs que demonstraram: a firmeza dessas profissionais para defender suas reivindicações, o apoio que têm junto a população e a postura antidemocrática e covarde do prefeito Evilásio Farias e de seu secretário de educação José Marcos dos Santos.

Histórico da greve
O dia 28/05, segunda-feira, foi de visita às escolas para conversar com os pais e convencer as outras ADIs que ainda não tinham aderido a paralisação. As visitas foram muito importantes, pois a adesão que estava em torno de 20% no primeiro dia de greve pulou para cerca de 50% na terça-feira.
No dia 29/05, terça-feira, por volta das 10hs, cerca de 60 professoras ADIs ocuparam o prédio da Secretaria de Educação para exigir negociação da pauta de reivindicação. Pressionado, o secretário de educação, José Marcos, se reuniu às 13hs com as ADIs, no entanto, ao invés de discutir a pauta, preferiu centrar a discussão em acusações e desqualificações às grevistas; expor suas mágoas com críticas feitas a ele no facebook; acusou a greve de ter fins eleitorais e etc.
Enfim, demonstrou não ter nenhum interesse em negociar com as professoras ADIs e demonstrou como nunca ser um secretario despreparado e desequilibrado para o cargo.
A noite, as professoras ADIs lotaram a Câmara Municipal, de onde saíram com um requerimento dos vereadores aprovado por unanimidade, na qual apoiava a greve e solicitava reunião com o prefeito Evilásio.
O próprio candidato do governo Evilásio, o vereador José Aprígio anunciou na tribuna da câmara que havia falado com o prefeito e confirmado a reunião de negociação que seria entre quarta e quinta-feira.
Nos dias 30 e 31/05,  enquanto aguardavam o dia e horário da reunião com o prefeito para discutir a pauta de reivindicação, as ADIs fizeram panfletagem aos  trabalhadores da Usina e de outros setores do funcionalismo que sofrem com os mesmos problemas das ADIs. Com panfletos e carro de som, as ADIs percorreram toda a cidade informando ao conjunto da população que estavam em greve, suas reivindicações e pedir apoio a sua luta.
No dia 30, sexta-feira, diante do silêncio do prefeito Evilásio Farias sobre o dia e horário da reunião de negociação, as ADIs fizeram um ato na prefeitura com cerca de 100 pessoas para exigir a reunião.
Evilásio estava na prefeitura, mas se recusou a receber a Comissão de Negociação das ADIs. Todos os portões de acesso à prefeitura foram cercados pelas ADIs e fincaram pé deixando claro que o prefeito Evilásio não sairia da prefeitura sem antes negociar.
A covardia de Evilásio foi tanta, que o mesmo ficou enclausurado em se gabinete esperando as ADIs irem embora.
No dia 04/06, segunda-feira, as ADIs fizeram visita às escolas, panfletaram nas praças de Taboão e coletaram assinatura do abaixo-assinado em apoio à greve.

Cidade Educadora, só mesmo no discurso
Mesmo com toda repercussão na imprensa local e embora tenham sido notificados formalmente da greve das ADIs, Evilásio e José Marcos procuraram ignorar a greve e fazer de conta que reinava a normalidade. José Marcos inclusive chegou ao absurdo de falar que só existiam 9 professoras ADIs paralisadas.
Agora, o fato mais vergonhoso foi à reunião realizada na secretaria de educação, na tarde de sexta-feira, 01/06, onde o prefeito e cerca de 10 ADIs, que não estavam paralisadas, se mancomunaram para discutir a greve e como desmobilizá-la.
Na contenda, mantida em segredo absoluto, Evilásio aproveitou para lascar a lenha nas ADIs e utilizar o velho e batido discurso que não poderia atender as reivindicações devido ao período eleitoral.
Enfim, não apresentou nenhuma proposta às pelegas que participaram da reunião, mas, foi oferecido cargos de livre-nomeados as presentes pelos serviços prestados contra a greve.
Esse é o método Evilásio de governar: “aos amigos tudo, aos inimigos, a lei!”

O papel dos Sindicatos na greve das ADIs
A greve das ADIs foi organizada pela Comissão Independente de Professoras ADIs de Taboão da Serra e contou com o apoio da Subsede Apeoesp de Taboão da Serra, do companheiros do MTST, do PSOL e do PSTU.
A pauta de reivindicação das ADIs, confundia-se com a pauta do conjunto do funcionalismo: trabalhadores da Usina, da saúde, da educação, do transporte, da cultura e etc. No entanto, os trabalhadores não acompanharam as ADIs na greve, o que fortaleceria e muito a luta das ADIs.
O apoio dos trabalhadores do funcionalismo de Taboão da Serra foi muito grande e animador, mas porque então não aderiram à greve?
A resposta a esta pergunta é que os dois “sindicatos” oficiais do município, o Sindtaboão e o Simproem, fingiram-se de mortos o tempo todo, fazendo o que sempre fazem, dando de ombros pra categoria que deveriam representar.
Na verdade, tanto o Sindtaboão como o Simproem, que antes andavam agarrados na barra da calça de Evilásio (pra não dizer outra coisa) servindo de agentes do governo contra o funcionalismo, agora, se abrigam sob as asas do tucano e pré-candidato Fernando Fernandes/PSDB.

A luta continua!
A greve acabou, mas a luta não! Por isso as ADIs votaram a suspensão da greve, mas o ritmo de mobilização continua na mesma intensidade. Hoje, todas estarão na Câmara para pautar suas reivindicações e exigir a reunião de negociação das reivindicações e reposição dos dias parados com o prefeito.
As ADIs também discutiram uma campanha para arrecadar fundos para aquelas companheiras que venham a ter dificuldades caso haja descontos dos dias parados e ajuda de todos será fundamental.
Num universo de cerca de 5 mil funcionários, as ADIs representam pouco mais de 200 profissionais. A disposição de luta, a coragem e a determinação são exemplos de inspiração pra qualquer categoria de trabalhadores.
Poucas vezes vi uma categoria que termina uma greve sem ter nenhum ponto de pauta atendido, e termina mais animada e disposta do que quando começou a greve.
Depois da greve as ADIs nunca mais serão as mesmas! Parabéns a todas que lutaram e não se venderam.

“ADI É PROFESSORA SIM, TEMOS OS DEVERES, QUEREMOS OS DIREITOS!”




segunda-feira, 4 de junho de 2012

VITÓRIA: MTST INICIA OBRA DE 896 APARTAMENTOS EM TABOÃO

Fonte: www.mtst.org

Após anos de luta, obra que deve atender famílias das Ocupações João Cândido e Chico Mendes é iniciada. Máquinas já estão no terreno.

Foram anos de muita organização e de grandes lutas. A persistência de milhares de lutadores da ocupação Chico Mendes (desde 2005) e da ocupação João Cândido (desde 2007) começa a trazer seus frutos. Neste dia 6/6/2012 se iniciam as obras para a construção de 896 apartamentos para as famílias lutadoras, obras que serão coordenadas pela Associação do MTST.
Uma parte das unidades habitacionais será destinada a um Movimento aliado na região, conforme acordo anterior - o Movimento Sem Terra de Taboão. A parte dos apartamentos que será do MTST irá atender famílias das ocupações mais antigas do Movimento na região.
Este conjunto habitacional representa uma grande vitória. Além da conquista do direito à moradia pelas famílias lutadoras, o conjunto será um modelo em relação a outros empreendimentos do Programa Minha Casa, Minha Vida. Metade dos apartamentos terão 3 dormitórios, o tamanho será bem maior que o padrão, os prédios terão elevadores e o condomínio contará com uma série de equipamentos socais e esportivos, como quadras, arena de teatro, unidade de saúde e creche.

Os recursos para construção virão da Caixa Econômica Federal e da Secretaria Estadual de Habitação. A CDHU entrou ainda com o a viabilização do terreno.
Isto é o que entendemos como fazer Reforma Urbana com as próprias mãos, através da organização popular e da luta.
Parabéns aos lutadores e lutadoras que conquistaram esta vitória!


sexta-feira, 1 de junho de 2012

Evilásio se recusa a negociar e ADIs decidem continuar em greve


Por José Afonso da Silva
No seu quinto dia de greve, as professoras ADIs de Taboão da Serra organizaram ato com cerca de 100 pessoas em frente a prefeitura de Taboão, com um simples objetivo: Exigir a reunião de negociação sobre a pauta da greve das companheiras.
Esta mesma reunião foi aprovada em requerimento no dia 29/05, terça-feira, por unanimidade pelos vereadores.
Na mesma sessão, o vereador José Aprígio, então pré-candidato do prefeito Evilásio, anunciou na Tribuna que havia conversado com o prefeito sobre a reunião e que só era necessário acertar a agenda.
Passou quarta-feira, passou quinta-feira, e nada. Foi dito por alguém que a proposta do prefeito era uma reunião para o dia 13 de maio, daqui a duas semanas. O que não tinha o menor sentido, pois significava interromper a greve, e , sem greve, esse governo não recebe o funcionalismo.
Por isso não houve alternativa às ADIs se não ir para a prefeitura exigir a reunião. As ADIs se posicionaram nas saídas da prefeitura, mas o prefeito, covarde, se recusou a se reunir com as ADIs e não teve coragem de sair.
Em assembleia na tarde de hoje, 01/05, as professoras ADIs decidiram manter a greve.
Na segunda-feira, será protocolado documento no Ministério Público para que interceda exigindo a reunião; abaixo-assinado junto a população em apoio à reunião e a pauta de reivindicação das ADIs; intensificar as visitas às escolas e se inscrever para usar a Tribuna da Câmara Municipal.
A professoras ADIs vêm dando uma grande demonstração de bravura e heroísmo. Mas, infelizmente, o conjunto do funcionalismo, que enfrenta os mesmos problemas, não se incorporaram a esta luta aderindo à greve. Não por culpa dos trabalhadores, mas sim de seus sindicatos, Sindtaboão e Simproem, que antes andavam de braços dados com o prefeito Evilásio Farias, agora estão colocados como carrapatos no candidato do PSDB, o ex-prefeito Fernando Fernandes. Isso deixa bem claro que esses sindicatos estão mortos pra luta dos trabalhadores e aponta a necessidade premente de construção de uma alternativa sindical combativa, democrática e independente dos governos e dos patrões.
Se fôssemos definir numa música a postura do desequilibrado Secretário de Educação, José Marcos, e do covarde prefeito Evilásio Farias, que se recusou a se reunir com as ADIs, esta música do Traje a Rigor, na qual colo o link do vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=kK98zwMgOPw